domingo, 12 de abril de 2020

Ainda me emociono...

Mês de abril, mês de lembranças nada boas. A sete anos atrás você estava na sua última internação hospitalar e lutando pela vida. Se fosse hoje isso acontecendo, eu diria que a esperança seria pouca devido a situação que estamos para que você se recuperasse.
No fundo eu sentia que era a sua última ida ao hospital, mas não queria aceitar, eu queria continuar vivendo ao seu lado, eu queria lutar nem que fosse pela última vez.
As idas para te ver e poder ficar com você no hospital, as reuniões que definiram a saída do home care pois eles já não acreditavam em sua melhora, eles no fundo, não queriam se responsabilizar por qualquer coisa errada que acontecesse com você meu filho. Fizeram tanta coisa que magoou a mamãe, me impediram de viver mais com você levando nem que seja uma última vez para passear e foi acontecendo tudo muito rápido.
Ouvia direto a frase: mãe ele pode não sobreviver, estamos fazendo de tudo por ele. Mas o coração bate fraco.
Eu não conseguia acreditar nisso pois você meu Branquinho o tempo todo sorrindo, o tempo todo interagindo comigo e com quem fosse.
A partir daí eu começava a me ver triste e cansada, de tudo que me colocasse para baixo, eu brigava com meus pensamentos ruins e levantava a minha cabeça para seguir em frente.
Mês esse que na sua internação ficou marcada pela desconfiança que você tivesse saído para passear e não tivesse mesmo no hospital. Uma profissional foi atrás da mamãe para ver onde eu e papai estávamos indo, pois não acreditou que você tivesse mesmo internado. E eu muito chateada com isso, mas fui chorando por dentro entrando porta a dentro do hospital para levar mudas de roupas e ver como você estava.
Essas coisas ainda me entristece.
Você mais uma vez voltou para casa como se nada tivesse acontecido depois de meses internado e surpreendeu mais uma vez a todos.
Eu sinto falta de você meu anjo, meu Igor. Lembro de você tão bem, de você dançando valsa com a mamãe e rolando na cama de mamãe, e o sorriso mais lindo que já vi, tampando a traqueo para falar mãe e pai, para falar as vogais.
Ainda me emociono com tudo isso!

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Cuida de mim Branquinho!

Nos meus dias de inquietação, me sinto tão perdida, me sinto pensativa com tudo que tem acontecido. Desde o mês passado quando a história da pandemia mundial explodiu nas redes sociais, na tv, nas ruas, muita gente assim como eu tem se perguntado: e agora? Como viver isolado agora que o negócio está feio, a situação não tem data de que tudo volte ao normal, as pessoas estão brigando umas com as outras, muita gente morrendo, mas muita gente também ignorando achando que não é verdade, muita gente sofrendo de ansiedade como eu.
É meu filho amado, se você estivesse aqui a mamãe estaria pedindo para Deus incansavelmente que te protegesse, você assim como muita gente é, você seria um fator de risco, com seu problema congênito e traqueostomizado pois faltava o ar para você.Você muitas vezes não conseguia respirar, você teve 14 hitóricos de pneumonia, você já teve parada cardíaca...
Mas agora você não está aqui, você não sofre mais e já cumpriu a sua missão.
Eu juro que tenho medo de pegar esse coronavírus, pois papai precisa trabalhar, e ele sai, mesmo com os cuidados que temos, passa medo, e agora que sua irmãzinha começou o ano estudando, todas as atividades estão sendo feitas em casa ao invés de ir a escola. Depois dela adaptada, mas entendo de verdade.
Mas tem dias que são difíceis, tem dias que me pego chorando com medo, mas todos os dias eu tento ser a melhor mãe para ela, elaborando brincadeiras e atividades para cobrir os dias finais de semana que não tem aula. Invento brincadeiras e todos os dias parecem ser domingo. Ruas mais vazias do que o normal.
Tem dias que dá vontade de sumir, de sair sozinha para arejar a cabeça, saudade apertando dia após dia de seus avós, de meus pais, ma filho, eu me espelho em sua luta, em sua força de vontade de viver, e estou conseguindo sobreviver a tudo isso.
Cuida de mim Branquinho, cuida de nós daí de cima, de onde estiver.