domingo, 1 de dezembro de 2019

Cuida de mim Branquinho!

Filho amado, meu coração está tão machucado, me sentindo mal desde que comecei a terapia. Não sei se vou continuar, fui em duas só, mas já na segunda, do jeito que fui, voltei. Espero voltar confortada, mas não foi bem assim. Eu não sei se é dessa forma mesmo que os terapeutas fazem, mas sei que a segunda vez que fui, só ouvi tragédias, e foi pedido para que eu prestasse bem atenção para ver se eu tirasse bom proveito disso. Não!, Não tirei, e a pergunta como tirar proveito de coisa ruim?
Não consigo entender o fundamento disso, não sei se isso vai ser bom para mim.
O fato que não estou conseguindo lidar com as sensações físicas, com os mau estar, as tonteiras, sensação de desmaio, e não é só luto o culpado disso tudo. Convivo com a claustrofobia desde pequena, bem antes de ter você em minha vida filho amado. Eu nasci cega e por milagre de Deus comecei a enxergar, mas passei por bullyng, fiquei com vergonha, triste, constrangimentos por momentos em escola bater a cabeça em pilastra  ou até mesmo tropeçar em quebra-molas na rua...
Eu tenho tremedeiras e as vezes isso afeta o lado direito do braço, em seguida o nó na garganta e vontade de chorar...
Já passou em minha cabeça de querer subir um morro bem alto e ficar lá até que eu saiba que realmente sentiram a minha falta. Eu estou sentindo a sua falta meu filho. Eu sinto a ferida aberta sempre que tomo conhecimento de alguém que se foi. Vem a tona tudo que passei com você.
Mais um ano se findando e eu sentindo a sua falta. Foram alguns natais ao seu lado que ficou marcado, pela subida ligeira da mamãe para te confortar nos momentos de fogos a meia noite. Depois que você se foi, foram poucos finais de ano que fiz questão de estar acordada.
Agora com sua irmãzinha e seus horários de dormir cedo, eu acompanho ela, e não me sinto culpada por isso.
Ela tem me ajudado muito nos meus dias de tristezas, e sua companhia me impede as vezes de chorar e no lugar das lágrimas o sorriso, pois ela me faz tão bem quanto você me fez.
A saudade doí muito quando lembro de sua partida, mas me faz feliz quando lembro de nossos momentos de dança de valsa, você rolando em minha cama e sorrindo e tampando a traqueostomia para falar aiiiiii.
Continue cuidando de mim meu pingo, meu Branquinho!



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