Tem mexido muito o fato de ver notícias sobre suicídio de pessoas tão jovens. Mas independente do motivo, tem sido assustador.
Um dia conversando com uma amiga que me enviou uma mensagem perguntando como estou, eu percebi que não só eu estou nesse mundo que tanto assusta, com tanta violência, mas muita gente se encontra na mesma situação que eu. Meus momentos não tem sido fáceis, tem sido difícil chegar até o portão e sair tranquila, e as vezes nem consigo sair.
Parecia que nesse dia pessoas como eu sentiram que deveriam me enviar uma mensagem, e eu falei como eu tenho passado. Tive uma ideia de reunir todas aquelas que eu conheci, bem antes de sonhar em ter meu Branquinho, aquelas que durante a vida de meu filho eu fiz amizade e até mesmo depois que eu já não pude mais abraçar e pegar ele, não posso mais vê-lo e nem sentir perto de mim. A ideia é marcar um encontro com mamães de anjos, para que possamos ter um dia de papo num lugar que agradasse a todas, e que possamos compartilhar nossas experiências como mães de crianças especiais que viveram e vivem conosco. Além de uma dando força a outra e saber como estamos.
Essa amiga amou a ideia e me deu outra que é criar um grupo no zap. Eu fiquei pensando uns três dias e como gostei da ideia, eu criei e convidei as mamães que tenho contato para participar do grupo. Mas uma pessoa bem próxima argumentou comigo que não pensa como eu, que nossos filhos que perdemos não são anjos e sim criaturas. Eu fiquei pensando: Nossa, não esperava isso dela! Mas enfim, iniciamos uma discussão no privado. Sabe, podia ser qualquer pessoa, mas essa eu realmente não esperava. Ela dizia com outras palavras, depois que perdemos um filho(a), são somente filhos e não são anjos, e eu nunca que deveria colocar ela no grupo pois eu sei que ela não gosta....Tudo bem, eu entendo de um lado e respeito, mas não precisava ser grossa e nem querer me convencer de pensar igual. Ainda manda a mensagem para mim assim: Adriana, já vi que não vou conseguir te mudar. Eu fiquei mais ainda surpresa. Como me mudar? Mas eu no fundo, fiquei triste claro e ao mesmo tempo, pensando, se eu não tivesse tomado essa iniciativa, eu não saberia que assim como mamães como eu que pensa igual, pensa como essa pessoa que não acredita em anjos ou não gosta desse termo e prefere criatura. Cada um interpreta de um jeito.
O que sei é que me sinto sozinha as vezes, não posso contar com o apoio de pessoas que esperava contar. E sempre ouvi a minha vida toda que não devemos esperar nada de ninguém. Mas nem o amor? Eu Pensei que podia esperar o amor de quem sempre amei e estou super enganada.
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