Um dia, depois da terceira ultrasonografia, com três meses de gestação, foi quando eu e meu esposo soubemos que além do higroma cístico, nosso filho estava apresentando hidrocefalia. Sai do consultório médico desnostiada, desonrientada, desesperada, tudo que podia me levar a depressão. Era inagreditável, que meu filho podia vir com esses problemas.
O médico dizia que não podia fazer nada além de acompanhar a gestação. Mas também dizia horrores.
Imaginar um filho com mal formação era tão fácil quanto difícil. Cheguei em casa falei e mostrei o laudo na ultrassonografia aos meus pais e irmãos. Presenciava no rosto de meu esposo a decepção, a angústia, desespero, entre outros sentimentos além da culpa e da revolta. Sentei e chorei muito. Lembrava das palavras do médico, da noção que eu e meu esposo não tinhamos sobre esta situação. E o médico disse também que em alguns casos tem mãe que interrompe a gestação. E muitas fizeram isso com a mesma situação que a minha. O filho apresentava higroma e hidrocefalia. Mas ele deixou bem claro que muitas mães também mesmo com medo e todos esses sentimentos ruins, resolveram continuar a gestação. Umas tiveram sorte em depois de tantos sustos e outras não. Ele, o médico, também disse a mim, que não era porquê ele fez esse comentário que era para eu fazer a mesma coisa, no caso, interromper a gravidez. Mas eu pensava em tantas coisas e meu esposo falando também...como será daqui pra frente essa gravidez? Como eu posso deixar um filho vir ao mundo para sofrer? nosso filho pode vir com sequelas...ou pode morrer.
Só que depois desse dia, eu só escutava de meu esposo e de minha sogra principalmente, que se fosse eles, iam abortar. Não diziam com essa palavra, mas é a mesma coisa. Abortar, interromper. E o desespero tomava conta de mim. Pensava: Eu não quero fazer isso! E se meu filho vier com saúde, se esse quadro se reverter?
Mas chorava tanto e quando foi um dia, meu esposo disse que não tinha condições de continuar assim.
Foi então que eu abracei meu esposo e disse: não quero mais esse filho! Eu não vou aguentar!!!!!! E com a ajuda de uma colega de minha sogra e todo apoio de meu esposo e sogra, eu resolvi interromper a gestação. Puro desespero!!!!!!
Essa colega conhecia um lugar, uma clínica clandestina e deu o endereço para minha sogra que passou para eu e meu esposo. Um dia nos informamos como podia fazer para ir, o que podia ser feito. Mas eu chorava dia e noite. Queria e não queria ao mesmo tempo. Mas eu fui um dia pela manhã. Mas eu desisti graças a Deus. Ele me tocou e me perguntei o que eu estava fazendo ali naquele lugar. Sai imediatamente dali e gritei por meu esposo, que não ficou satisfeito com minha atitude. Mas eu pensei muito em Deus e queria sair dali primeiramente. Depois queria saber como seria a minha vida e a do meu filho dali prá frente. Não vou mentir que meu casamento sofreu um baque enorme, que por pouco acaba. Mas também não posso dizer que minha vida está sendo fácil.
Resolvi sim, continuar a gestação, e dos quatro meses em diante, passava muito mal a ponto quase do meu filho vir antes do tempo, por muitas vezes. Passava mal sempre na parte da noite.
Mas enfim, com muito medo, mas também coragem, chegou a hora de eu ter meu filho. E com nove meses estava eu lá na mesa de cirurgia, dia 18/09/2008 tendo o meu bebê com parto cesariana. Meu filho nasceu mas foi direto para o oxigênio na UTI.
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